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Terezinha Nunes discute acessibilidade atitudinal e inclusão social das pessoas com deficiência visual na Alepe

Encontro trouxe depoimentos, relatos e possíveis soluções para os problemas que afligem o cotidiano de quem vive no Estado

 

Com o objetivo de escutar as principais demandas das pessoas com deficiências visuais, aconteceu, na manhã desta quinta-feira (8), uma reunião com membros da sociedade civil, entidades relacionadas à causa e o poder público na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A deputada estadual Terezinha Nunes (PSDB), presidente da mesa, debateu sobre quais maneiras o Estado pode atender da melhor forma os cidadãos, promovendo inclusão social, educação, emprego e qualidade de vida.

Na pauta, acessibilidade atitudinal, educação nas escolas, inclusão na sociedade, mercado de trabalho e responsabilidade social. A professora Adriana Calheiros, do Instituto de Cegos, iniciou o debate fazendo uma audiodescrição do ambiente para demonstrar ao público um pouco do dia a dia de uma pessoa cega. Também estavam presentes representantes da Prefeitura do Recife e do Governo do Estado, membros do Ministério Público, da Ordem dos Advogados de Pernambuco (OAB-PE) e da Associação Beneficente Pernambucana de Cegos do Estado.

No início da reunião, Terezinha trouxe números que apontam a falta de atenção do poder público com a acessibilidade do Estado. “Pernambuco tem hoje cerca de 20 mil pessoas cegas e 350 mil com grande dificuldade de locomoção. Elas reclamam que não existe acessibilidade no dia a dia como, por exemplo, a utilização do braille, nos cardápios dos restaurantes”, afirmou.

No âmbito da educação, foram expostos problemas que o cidadão com deficiência enfrenta cotidianamente. “Nas escolas, temos uma grande resistência para aceitar alunos. É um problema de inclusão com qualquer tipo de deficiência, mas em relação aos cegos e surdos é enorme”, indagou.

“A Constituição preconiza que é dever do Estado garantir educação e saúde para todos, entretanto, a falta de acessibilidade tanto na esfera arquitetônica, quanto na comunicacional, tem uma base não alicerçada. Se não construirmos acessibilidade atitudinal, jamais teremos, de fato, inclusão social”, pontou Paulo Domingos Ferreira, membro da Associação Beneficente do Recife de Cegos.

Na ocasião, José Diniz, presidente da Associação Pernambucana de Cegos fez uma denúncia à deputada. Ele alegou que 220 mil impressoras braile vieram, do Governo Federal, de acordo com o site do Ministério da Educação (MEC), mas, 90% desse número não correspondem à realidade atual. “Ninguém sabe como usa essas impressoras. Na Escola Governador Barbosa Lima tem uma impressora sem uso nenhum”, revelou.

Com essa denúncia, Terezinha irá enviar um ofício para a Secretaria de Educação do Estado de Pernambuco solicitando uma vistoria nesses locais. “É preciso saber o porquê das salas e equipamentos disponibilizados pelo MEC não estão sendo usados pela população”, finalizou a deputada.

As reuniões da Frente Parlamentar em Defesa da Pessoa com Deficiência acontecem uma vez por semana na Alepe, às 9h30 e são presididas por Terezinha Nunes. O encontro é suprapartidário e tem como objetivo principal promover um debate assertivo junto aos pleitos das pessoas com deficiências do Estado.