voltar

PT causa danos à classe política

Por Terezinha Nunes

Ninguém tem dúvida dos males que as administrações excessivamente ideologizadas e messiânicas do PT – com Lula transformado em um quase um Messias – causaram ao Brasil.

Até mesmo o mais nobre dos pilares em que elas se alicerçaram – o programa Bolsa-Família – se revelou, ao longo do tempo, muito mais um instrumento para domínio popular e compra de votos do que uma política social séria que assegurasse aos mais pobres o seu verdadeiro lugar na sociedade.

No castelo de cartas que vem sendo desmontado desde que os escândalos de corrupção petistas foram sendo revelados tendo por base o “toma lá da cá” para construir maiorias cada vez mais expressivas no Congresso, novos males vão surgindo causando perplexidade dentro e fora do país.

Um deles é o desgaste da classe política brasileira hoje vista pela população sob a ótica da corrupção.

Por ter acreditado muito no PT e imaginado lá atrás que ele poderia, como afirmava Lula, colocar o Brasil em um outro patamar ético e moral, os brasileiros foram perdendo a esperança a medida em que os malfeitos petistas foram sendo descobertos nos mínimos detalhes, inclusive o enriquecimento ilícito de figuras notáveis como José Dirceu e o próprio Lula, sem falar nos menos cotados.

Não faz muito tempo, para uma democracia jovem como a brasileira, que Lula denunciava a existência de “300 picaretas” no Congresso. Agora o grosso da população, que só acompanha o noticiário em meio ás crises, sabe que Lula e seu partido se juntaram, de cama e mesa, como diz o adágio popular, com esses mesmos picaretas.

E que, no esteio do que acontecia em Brasília para onde convergem os recursos públicos brasileiros em sua quase totalidade, a corrupção foi se espalhando pelo país, sobretudo em períodos eleitorais, transformando o sistema político extremamente dependente de “doações por dentro e por fora”. Tal como tem revelado a Operação Lava Jato.

Se antes do PT a corrupção existia mas não era institucionalizada, o que se descobre agora, sobretudo através do Petrolão, é que empresas e órgãos públicos foram contaminados por um esquema de propinas gerados no centro do poder e corrompendo dos altos aos baixos escalões.
O mal causado à classe política, da qual também fazem parte homens de bem, está sendo sentido agora quando o país precisa superar a crise, dar a volta por cima, recuperar a esperança e acreditar nas autoridades.

Afinal são esses mesmos políticos que terão que desatar o nó da equação montada desde que a presidente Dilma elegeu-se com base na mentira, segurando uma crise que deveria ter sido combatido em seu primeiro mandato, e caiu no descrédito total, ao ponto de mais de 6 milhões de brasileiros deixarem suas casas para ir às ruas pedir o seu impeachment.

É certo que, debelada a crise, o povo voltará a separar o joio do trigo, convencendo-se de que a classe política, como todas as classes, têm pessoas boas e más.

Até lá, porém, é preciso torcer para que, no meio desse vácuo, algum “salvador da pátria” não venha a prometer, como Dilma, o que não pode fazer e voltemos a enfrentar tempos parecidos com os da Era Collor, o caçador de marajás de triste memória.

O povo brasileiro não merece mais passar por algo sequer parecido com os governos Collor e Dilma.