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A vez das mulheres

         Estado com classe política forte, mas tradicionalmente resistente à presença das mulheres na política, Pernambuco está surpreendendo nesta eleição que se avizinha.

         Além do PT, que apresentou a pré-candidatura da vereadora Marília Arraes ao governo, os outros dois postulantes ao cargo, o atual governador Paulo Câmara (PSB) e o senador Armando Monteiro(PTB) têm duas mulheres em mira para fechar suas chapas até o próximo domingo.

          Na chapa de Paulo a escolhida é a deputada federal Luciana Santos (PCdoB) e na de Armando, é a deputada estadual Priscilla Krause, do DEM.

         O que teria levado a classe política de Pernambuco a mudar de comportamento?

         Em primeiro lugar o protagonismo cada vez maior das mulheres no estado e, em segundo, a decisão do TSE de destinar 30% do Fundo Eleitoral, que financiará as eleições, às candidaturas femininas.

          Os políticos pernambucanos que, ao contrário de outros nordestinos como os cearenses, baianos, paraibanos, maranhenses, piauienses, sergipanos e potiguares nunca deram às mulheres qualquer chance em eleições majoritárias, estão se rendendo aos fatos que atingem não só o nosso estado, mas a todo o país.

           Não precisa ir muito longe para observar a resistência da política pernambucana às mulheres. Hoje entre os 25 deputados federais do estado só existe uma mulher – a própria Luciana – e dos 49 deputados estaduais só seis são mulheres. Nunca uma mulher se elegeu sequer para prefeita da capital, ao contrário do que já aconteceu no Ceará e na Bahia, com Lídice da Mata e Maria Luísa Fontenelle.

            Na Paraíba e Sergipe as mulheres já venceram eleições para o Senado e, no Rio Grande do Norte, Wilma Maia foi governadora.

            Apesar de Pernambuco ter mulheres importantes na sociedade capazes de conquistar votos, na verdade, elas sempre tiveram que enfrentar grandes obstáculos para conseguir financiar suas campanhas, dependendo de apoio de empresários (quase todos homens) até que o financiamento público foi adotado.

 Também os poderes constituídos raramente abriram espaço para elas em secretarias de estado, locais onde se formam muitos políticos. No momento, por exemplo, Pernambuco só tem duas mulheres em secretarias do Governo, os demais secretários são homens. Vale ressaltar que uma dessas secretarias é a da mulher onde, é evidente, ficaria estranho colocar um homem.

           Em todas as regras há exceções, mas quando as mulheres foram realmente prioridade venceram as eleições como foi o caso de Ana Arraes (PSB), quando se elegeu deputada federal sendo a mais votada, e Raquel Lyra(PSDB), atual prefeita de Caruaru, a única mulher eleita em segundo turno nas grandes cidades brasileiras nas últimas eleições.

             Se a decisão do TSE de destinar 30% dos recursos às mulheres tivesse se dado antes, as eleições deste ano iam ter outras histórias para contar. Com a ida de Luciana Santos para a vice, por exemplo,  corremos o risco de involuir na bancada da Câmara Federal, elegendo 25 homens. Nenhuma mulher.

             Mas, pelo andar da carruagem, as mulheres vieram para ficar e, nas próximas eleições, certamente, serão eleitas por aqui muito mais vereadoras e prefeitas do que na eleição passada.  Quem viver, verá.